segunda-feira, outubro 04, 2010
Mini-conto: em Novembro... Mas para adultos!!
Em Novembro (a partir de dia 1) espero começar a colocar aqui o novo mini-conto (digo espero porque não sei se o terminarei a tempo!) que será bem mais longo que o anterior!
Mas este conto vai ter uma contrapartida: não será aconselhado a todos os leitores!
Na altura de imprimir o conto, irei voltar a destacar isto, mas desde já aviso que o conto vai tocar temas muito sérios, e poderá ser um pouco pesado ou até chocante para os mais susceptíveis!
Não é meu costume fazer coisas deste género, gosto que tudo o que escrevo seja acessível a todos os leitores, mas de facto foi um rasgo de inspiração que tive que não podia desperdiçar! Já para não falar que são temas que podem não ter muita literatura associada, então será uma boa altura para explorar estes temas!
Bem, como já repararam não estou a abrir muito o jogo, porque não quero revelar muito da história, mas achei que deveria prevenir todos os que são mais sensíveis e que estão à espera deste mini-conto!
Їmρπεssασ ξm βπαηςσ
sábado, julho 17, 2010
Mini conto - Crónicas de uma Caneta (Parte 3)
Mas num certo dia, enquanto dormia, alguém me pegou e me trocou a carga. Eram umas mãos ásperas e grandes. Tive curiosidade e abri os olhos: era o menino! Ele havia-me repescado daquela lata velha e já ferrugenta! Nem podia acreditar! Então o menino já homem pegou em mim e começou a escrever enquanto sorria… Que visão maravilhosa! Que sensação magnifica! Sempre a sorrir ele escreveu um poema, e depois um texto, e depois jogou comigo uma partida do jogo do galo. Usou-me para escrever uma carta a uma menina “muito especial”e no fim, pegou na régua partida do fundo da lata e fez de mim um avião novamente. E que divertido que foi! Passamos horas naquilo! No final do dia, ele perguntou-me: “Que mais queres fazer amiga?”. Não esperava aquilo! Fui apanhado de surpresa com aquela pergunta e depois de muito pensar disse “Quero escrever-te um texto”. E assim foi, escrevi-lhe este texto para lhe demonstrar que uma caneta é muito mais que um simples objecto: é um amigo para a vida!
Texto original de: Ricardo Araújo (LawlietShinzo)
Їmρπεssασ ξm βπαηςσ
sexta-feira, julho 16, 2010
Mini conto - Crónicas de uma Caneta (Parte 2)
Os anos iam passando e eu continuava a ajudar o menino a Língua Portuguesa e a Estudo do Meio… Na Matemática a professora era má, não deixava que ele me usasse… Mas eu não me importava, pois estava sempre encostada ao papel e a ver aquele maravilhoso sorriso de cada vez que eu era posta em uso… E como era bom poder passar pelo papel e deixar a minha marca… Mas mais que isso, eu adorava estar naquelas mãos pequenas e suaves daquela criança e contemplar seu sorriso… Era inspirador! E não era só bom para mim, também para ele! E não só para escrever: quantas e quantas vezes ele pegava em mim e punha uma régua presa na minha presilha e transformava-me num avião, um avião que pairava no ar a grande altitude mas que se despenhava cada vez que a professora, provavelmente irritada com as minhas acrobacias aéreas lhe gritava “Que estás tu a fazer?”. Lá estavam os adultos a serem uns monstros e a obrigarem o pobre menino a ouvir sobre a História de Portugal. Que interessava se o Afonsinho Henriques tinha batido na mãe para ir de férias para o Algarve? O que aquele menino queria era embarcar na aventura de me pilotar e imaginar que voava em mim até ao outro lado do mundo, ou desafiar o colega do lado para uma partida do jogo do galo.
A prova de que os adultos são maus é que vão complicando as coisas para as crianças. De ano para ano, a matéria ia ficando cada vez mais difícil, uma professora transformava-se em várias, uma cópia passava a ditado e um ditado passava a texto livre… As fichas que antes eram para colorir passavam a ser folhas com perguntas chatas que ele tinha de responder com a minha ajuda. E agora, em vez de fazer de mim avião ou jogar o jogo do galo, fazia simplesmente sarrabiscos no canto da folha, enquanto fitava a professora com cara ensonada e praguejava “Mas ca ganda seca men!”. Mas mesmo assim, continuava a passar pelo papel e a estar nas suas mãos, mas havia algo diferente… O menino já não sorria… Mas porquê? Eu estava ali, nas suas mãos, ainda de carga completa! Porquê que o menino já não sorria enquanto escrevia? Talvez fosse só impressão minha! Ele devia estar felicíssimo comigo, tinha a certeza. Até já passávamos mais tempo juntos… Mas nunca a brincar… Estava sempre comigo encostada ao papel… “Vamos brincar! Faz de mim um avião” – dizia eu. Mas nada! Só me usava para escrever… “T.P.C.” – escrevia ele… E mais, sempre mais, nunca parava: “Trabalho de História” – escrevia e só terminava depois de explicar numas 30 páginas que D. Afonso Henriques havia conquistado a independência do até então Condado Portucalense em guerra com a sua mãe e que depois expandiu o Reino de Portugal desde o Minho até ao Algarve! Eu não entendia porquê que ele me usava para escrever aquelas coisas, mas estava feliz porque ainda era a sua inseparável companheira.
Num daqueles dias, o pai entrou pela porta com uma grande caixa. O menino ficou imensamente alegre: era um computador! A partir desse dia, usou-o para quase tudo: para fazer trabalhos (não mais me usava nem à enciclopédia), para jogar (teve um súbito desinteresse pelo jogo do galo), para falar (não mais me usou para escrever uma carta ou bilhetinho)… Eu havia sido deixada para segundo plano… Mas como era possível? Porquê que o menino me passou a usar o mínimo possível?
Їmρπεssασ ξm βπαηςσ
quinta-feira, julho 15, 2010
Mini conto - Crónicas de uma Caneta (Parte 1)
Hoje decidi colocar mais um post, uma vez que o blog estreou hoje, e faz-me espécie vê-lo assim tão vazio... xD
Crónicas de uma Caneta
Parte 1 de 3
Quem nunca pegou numa caneta? Toda a gente já o fez! Para escrever, para desenhar, para riscar, para brincar…
Mas o que é afinal uma caneta? Para aqueles que engolem dicionários ou passam horas a navegar na Wikipédia, caneta é um “pequeno tubo em que se encaixa a pena para escrever; qualquer instrumento semelhante com que se escreve a tinta”. Pois eu digo que sou muito mais que isso! Sim, sou uma caneta! E posso-vos garantir que sou muito mais que um simples objecto.
Há uns anos comecei por ajudar um menino a aprender a escrever. Pegava em mim de uma forma suave e desajeitada e a medo encostava-me ao papel. E muito devagar… Com muita calma… Um pouco a tremer… Fazia-me mover lentamente pela folha de papel… E escrevia “Olá”, daquela forma engraçada que toda a gente escreve quando ainda está a aprender. Via a professora a vir na direcção dele e a dizer “Muito bem! Continua a praticar!”, e ele, com um sorriso de orelha a orelha, lá pegava novamente em mim e lá me fazia percorrer mais uma vez a folha de papel, para escrever vezes e vezes sem conta a mesma palavra, a mesma frase, o mesmo texto, até que o traquejo ia aumentando e a vergonha diminuindo. Era tão bom ver aquela criança a sorrir tão alegremente enquanto me fazia viajar uma e outra vez pelo branco da folha.
Um dia, durante uma aula, fiquei sem tinta… Vi os olhos do menino esmorecer e a sua face a ficar consumida pelo terror de me perder! Assim que chegou a casa apressou-se a ir ter com o pai e a contar-lhe o drama desse dia: “Papá, a minha caneta não escreve mais…”. O pai, com um sorriso carinhoso, ordenou-lhe que me viesse buscar e que me levasse até ele. O menino num ápice me apanhou e levou-me até seu pai. Fiquei como nova após me ter trocado a carga e, ao olhar o menino, vi seus olhos brilhar e aquele sorriso de orelha a orelha que eu tanto adorava. Ele estava feliz pois tinha a sua caneta de volta!
Їmρπεssασ ξm βπαηςσ